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AI, AI, AI... DE ANO EM ANO? BEM, PELO MENOS, AGORA, FORAM QUATRO MESES...

É... Anda complicado passar por aqui... Assunto não falta, mas o tal do tempo, que eu já confessei não saber administrar, anda me pegando no pé. É certo, ainda, que o tal do tempo, ultimamente, tem nome, endereço e cédula de identidade: a minha orientadora de mestrado. Mas isso não vem muito ao caso, não...

Ando numa fase saudosista. Apesar de isso soar óbvio para quem me conhece de verdade - e sabe que, às vezes, sinto saudade até do que não vivi -, ultimamente me pego pensando, por exemplo, nos tempos em que fiz faculdade, nas pessoas que conheci naqueles tempos. E, de vez em quando, chego a sentir saudade daqueles tempos em que, duro como sempre, não tinha grana nem para o pão-de-queijo no bar do Valdemar (outra saudade! O Mackenzie é um dos meus amores, mas aquela praça de alimentação com Benjamin Abrahão e tudo o mais não me convence...).

E por falar em saudade, outro dia estava eu conversando com o Mário - não,  não é aquele, não -, professor de português lá da Graduada, onde, desde janeiro do ano passado, gasto oito horas do meu dia dando aulas, sobre uma das leituras mais saborosas dos últimos tempos, ao menos para mim: A era dos festivais, do Zuza Homem de Mello. Para quem gosta de conhecer detalhes e bastidores dos eventos que marcaram tempo na cultura brasileira, esse é imperdível. Para quem, como eu, tem saudade de tudo, até do que não viu de perto, é orgasmo textual garantido. Vale a pena encarar as mais de seiscentas páginas (sim, seiscentas...) e deliciar-se com os comentários, as anedotas e as fotos de uma das passagens mais agitadas da cultura brasileira do século XX. De quebra, a gente ainda começa a entender um pouco melhor porque é que a Mulher Melancia e outras frutas conseguiram existir...

E por falar em cultura brasileira - esse ente tão abstrato que leva algumas pessoas a perguntarem, inclusive, se ele existe mesmo -, a televisão brasileira grita por socorro há tempos, mas parece que alguém ouviu. Marcelo Tas (careca, claro, como os mais inteligentes, espertos e charmosos), cercado de humoristas jovens, criou a geléia geral que nos salva do tédio das segundas-feiras à noite. No país em que, de acordo com o Síndico, "puta goza, traficante cheira e pobre vota na direita", o CQC - Custe o Que Custar - é o atestado de que, se não se aprende pelo amor, é possível esculhambar com classe...

 

E por falar (nossa, quanta coisa!) em pobre que vota na direita, vou citar tia Rita Lee: "Ai, ai, meu Deus, o que foi que aconteceu?". Não é que o Kassab levou a eleição? Bons tempos em que os que sentavam-se na cadeira de Prefeito antes de serem eleitos levavam a pior... Tudo bem, a Marta pisou na bola, mandou a gente relaxar e gozar - nem levou em conta que nas cadeirinhas de avião mal dá para viajar, quanto mais para relaxar... Gozar, então, nem a pau - literalmente... Mas será mesmo que a tia merecia a lavada que levou? Será que a Marta é o primeiro caso de rejeição ao Botox em que os sintomas não aparecem no corpo de quem passou pelo tratamento, mas nos outros? Sugestão pros petistas: faz assim, implode, começa tudo de novo e traz a Erundina de volta (minha tese sobre ela é que ela saiu do PT por ser petista demais, acreditar em toda aquela história em que nós também acreditávamos, de luta e mudança, ética e o escambau...). Nela eu voto sem drama de consciência...

Acho que só volto ano que vem... Minha qualificação se aproxima e a defesa não deve tardar. Mas passo aqui pro piegas e tradicional "balanço de fim de ano"...



Escrito por Mauro Dunder às 10h59
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