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Sopa de Letras | |||||||||||||||
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A SÍNDROME DO PEQUENO-CHEFE... Que esta "República Temporã" sofre de uma série de "achaques", Mário de Andrade e Gregório de Matos, respectivamente, já haviam dito. Mas, ultimamente, tenho reparado - ou tem aparecido com mais explicitude - numa síndrome que me incomoda muito: a do pequeno-chefe (muito provavelmente, inclusive, o leitor deste texto concluirá que ele - o texto - também é um sintoma da síndrome, mas tudo bem...). Hoje, ao vir para a escola, ouvi - para ser preciso, não pude deixar de ouvir - a conversa entre o motorista do ônibus e seu assistente a respeito da possível desapropriação, por parte da Prefeitura de S. Paulo, de uma favela para construir a continuação da Avenida Águas Espraiadas. Ao ouvir do assistente que "o Kassab inventou" a tal desapropriação e que, para isso, pagaria R$ 5000,00 a cada proprietário de moradia, o motorista disse: "Tá certo! Já era pra ter tirado essa gente dali mesmo.", insensível às interpelações do outro rapaz: "Como assim! E aonde essa gente vai morar?!?" " Ah, problema deles, constrói o barraco em outro lugar!" Meu coração quase saiu pela boca. Como assim? Mas esse motorista não é proletário, como eu, como os trabalhadores e como, provavelmente, muitos dos moradores da favela? O que é que temos feito, como sociedade, para que pessoas tenham essa visão tão distorcida de algumas coisas? Eu já pensava nessas coisas, aterrorizado o suficiente para uma segunda-feira, às sete e meia da manhã, quando, incrivelmente, tudo piorou: "Sabe por que é que não tiraram essa gente de lá ainda? Por causa desse povo de Direitos Humanos, desses ambientalistas que não têm mais do que fazer..." Além, é claro, de toda a confusão que se fez entre direitos humanos, ambientalismo e questões sociais, o que mais me chocou foi o pensamento individualista e pretensioso. Ainda que as pessoas de classes sociais superiores pudessem, legitimamente, achar que favelados não merecem nenhuma consideração, o que dizer de alguém que, possivelmente, se ficasse desempregado, teria de se mudar para uma favela? É a mesma mentalidade que repete, como papagaio, que "bandido é na cadeia, gente boa é na rua", de preferência com a "Rota na rua". Não que o papel da prefeitura não seja urbanizar a cidade e, por conseqüência, diminuir o número de favelas. Mas não é assim que se resolve a coisa, ainda mais para construir avenida - que, de quebra, só vai servir ao motorista que julgou a questão para trabalhar, eu acho... Por que é que, ao menos no Brasil, a síndrome do pequeno-chefe (pequeno-burguês) não passa? Por que é que nos damos o direito de, do alto de nossa vida assalariada e de prazeres tão escassos, julgar quem tem ainda menos, como se o ter fosse o que realmente importa? Será que é mesmo só culpa do Capitalismo Selvagem dos Homens Primatas, ôoo? Mário Chico, Luís Cêssarrrrrrr, Resendinho, respondam essa aí, vai... Escrito por Mauro Dunder às 10h59 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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