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FÉRIAS, MARTA SARÉ, SAUDADE DO QUE NÃO VIVI...

Escrevi, certa vez, uma crônica - hoje perdida, depois de tantas reformatações - que as férias são, sob certo ponto de vista, prejudiciais ao homem. Elas nos fazem perceber a insanidade em que vivemos ao longo dos outros 11 meses do ano. Pois bem, estou de férias, novamente (para ser honesto, quase no final delas) e minha opinião mudou drasticamente. As férias são benéficas. Exatamente pela mesma razão que, oito anos atrás, fez-me considerá-las maléficas: é só durante as férias que a gente adquire(ou readquire) consciência de várias coisas importantes. O tempo é escasso para tantos amigos, tantas visitas que gostaria de fazer, para dedicar à minha mãe - hoje mais minha amiga do que nunca - e a mim mesmo. E as férias permitem que isso aconteça - ainda numa frequência bem menor do que deveria, mas acontece.

Uma das consciências que estas férias me permitiram retomar foi a do quanto minha vida é rica. Quem me conhece sabe que não estou falando de conta bancária - negativa, como a de 99% da população -, nem de minha carteira - hoje, bem vazia. E o que me fez perceber o quanto sou querido pelo Destino foi uma prosaica visita ao meu próprio perfil de Orkut. Pode até ser uma bobagem, mas tive o cuidado de reler algumas coisas que algumas pessoas me escreveram. E descobri, virtualmente, que sou feliz concretamente.

Tenho amigos, grandes amigos - daqueles que se contam nos dedos de uma mão - para contar nos dedos das duas mãos e em mais alguns dos dedos dos pés. Tenho uma família que me fez quem eu sou, tenho uma profissão que amo e que exerço para ser feliz. Tenho um amor, minha casa e dois cachorros.

Obviamente, tenho minhas indignações. E elas é que me fazem perceber, muitas vezes, o quão rica tem sido até aqui minha experiência neste planeta. Vivo de tudo: amores, dores, paixões, apatias, desgostos, prazeres. E se isso não é ser feliz, prefiro acreditar que é. E que sou.

 

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Da seção "Nostalgia que me persegue": já escrevi aqui que tenho saudade até do que não vivi. Nos últimos dias, tenho dedicado boa parte do meu tempo a escrever material didático - não disse que também vivo dores? - e, nos intervalos, um nome me veio à cabeça: "Marta Saré". Explico: como também já disse aqui, li, nas férias do ano passado, "A Era dos Festivais", do Zuza Homem de Melo. E ele cita, quando fala do Festival de 1968, o segundo lugar de Edu Lobo e Marília Medalha, com a composição de Edu e de Gianfrancesco Guarnieri, "Memórias de Marta Saré". Desde que li o livro, o nome me capturou pelo ouvido. Agora, perambulando pela internet, resolvi procurar algo que me mostrasse a música. Encontrei, para minha surpresa, dois vídeos no YouTube - um, inclusive, de 2006, com a Marília Medalha revisitando a música. E confesso que, mais uma vez, a sensação que me invadiu foi a tal melancolia do que não vi. Que delícia ver e ouvir Edu e Marília, cantando com uma intensidade invejável, uma letra aparentemente tola, mas que de tola não tem nada! Resultado: estou apaixonado por Marta Saré e por Marília Medalha.
Mário Chico, ser melancólico é gostoso, viu? Mesmo que, constantemente, eu apenas usurpe a melancolia de quem viveu aqueles tempos difíceis, mas riquíssimos...
Vão os links dos vídeos:
1. "Memórias de Marta Saré" - 1968 - 4o. Festival da Record:http://www.youtube.com/watch?v=_NXhdKbuprE&feature=related
2. "Memórias de Marta Saré" - 2006 - Projeto "Em cena, ações", de Heron Coelho, SESC Ipiranga:http://www.youtube.com/watch?v=qeJXJYbzhRY


Escrito por Mauro Dunder às 15h11
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