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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, HIGIENOPOLIS, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Arte e cultura, dar umas aulinhas... |



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VÊ LÁ SE ESSE CARA NÃO MANJAVA MUITO DAS COISAS...
"Num meio-dia de fim de primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe. Tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu era tudo falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés espetados por um prego com cabeça, E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças. O seu pai era duas pessoas... Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque não era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça! Um dia que Deus estava a dormir E o Espírito Santo andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o sol E desceu pelo primeiro raio que apanhou. Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz ao braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E que toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças E levanta-lhes as saias. A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as cousas. Aponta-me todas as cousas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando a gente as tem na mão E olha devagar para elas. Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar no chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espírito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou – «Se é que ele as criou, do que duvido» – «Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso se chamam seres.» E depois, cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços E eu levo-o ao colo para casa. Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural, Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro. E a criança tão humana que é divina É esta minha quotidiana vida de poeta, E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre, E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação, E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo. A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E a outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é o de saber por toda a parte Que não há mistério no mundo E que tudo vale a pena. A Criança Eterna acompanha-me sempre. A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda. Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa, Graves como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo um universo E fosse por isso um grande perigo para ela Deixá-la cair no chão. Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens E ele sorri, porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos-mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do sol A variar os montes e os vales E a fazer doer aos olhos os muros caiados. Depois ele adormece e eu deito-o. Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo-o lentamente E como seguindo um ritual muito limpo E todo materno até ele estar nu. Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos. Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate as palmas sozinho Sorrindo para o meu sono. Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é. Esta é a história do meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam?" (Fernando Pessoa)
Escrito por Mauro Dunder às 23h25
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TANTO PRA DIZER...
Nos últimos dias, muitas vezes tem passado pela minha cabeça a seguinte frase: "Puxa, isso viraria uma crônica!". Obviamente, a motoniveladora da vida moderna leva embora o assunto da crônica e - Putz! Esqueci! - é o que fica. Assim, o texto de hoje é uma colcha de retalhos, coisas que me passam pela cabeça neste exato momento e que não têm nada a ver - nem umas com as outras, nem com nada mesmo: 1. A reforma ortográfica beneficiou a quem, mesmo? 2. Saudade de muitas pessoas: Luís Couto, Mara Goes, Renata Toledo, Shirley Barranco, Vivi Fernandes, Bianca, Lourenzo, Carol, Raquel, Sandra, Tânia, Taninha, Lu Prandina, Simone Malaspina, Fê Bellotto, Gugu Coelho, Regina Buongermino... 3. Quando é que a gente vai aprender que pôr o Sarney pra correr não muda a bandalheira do Congresso? Teríamos de colocar todos pra correr, isso sim... 4. Estou de novo na situação transitória de ser "-ando": fui Mestrando por três anos e, agora, sou Doutorando, por cinco! 5. Será que um dia Papagaio leva a fama? 6. Tenho vontade de voltar a estudar Fernando Pessoa. 7. 2010 - Serra Presidente??? 8. "Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar" 9. Esta foi do Daniel: "será que Deus lava cabelos?" - Não, não tínhamos bebido nem fumado nada ilegal... 10. "São Paulo respira melhor" - PALHAÇADA! 11. "Take a chance on me!" 12. "Pra dentro, Marta Saré!" 13. "Fofolete, presta atenção!" 14. "Cada fuso com seu uso" - essa quem me ensinou foi o Cleber. 15. "Pessoal, vamos lá? Aqui, nesse cantinho tão nosso..." - COMO EU ODEIO OUVIR ISSO! 16. Nhá Barbina, Zé Bonitinho, Pureza, Pantaleão, Bô Francineide - gente que me fez rir quando eu era pequeno... 17. Frase mais repetida dos últimos dois dias: "Salve a calcinha da professorinha!" - Piada interna... Rs... 18. Meus amigos, meus alunos, o Daniel e minha família...
Escrito por Mauro Dunder às 23h22
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