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VANUSA E O HINO

Para quem anda meio afastado do mundo - e do Brasil - nos últimos dias, uma das cenas mais tristes dos últimos tempos aconteceu aqui em São Paulo, esta semana. Não é cena de seca, nem de enchente,  nem de violência física. Foi triste porque uma das muitas belas vozes femininas que este país produziu protagonizou um espetáculo de horror na Assembleia Legislativa de São Paulo. Foi triste porque expôs ao ridículo uma profissional competente - Vanusa pode não ser um primor no repertório, mas canta muito. Mais triste, porque envolveu o nosso já tão combalido - apesar de lindo - Hino Nacional.

A moça errou o hino do começo ao fim. Tropeçou nas primeiras palavras e, a uma certa altura, trocou estrofes, palavras, versos, ritmo, melodia. Tudo.

Isso me levou a pensar no seguinte: o que andamos fazendo nas escolas, hein?

Não que tenhamos de voltar aos tempos em que, sem nem saber por quê, cantávamos o  Hino todas as segundas-feiras no pátio da escola. Também não é o caso, como já ouvi e li, de reduzir a letra para evitar desastres públicos. Mas creio - mesmo - que passou da hora de ensinar a COMPREENDER o que cantamos, e mais, a compreender por que cantamos.

Muito antes de Vanusa, Olga Bongiovanni, em seu antigo programa matinal, trouxe a tona o quanto o Hino nos passa despercebido. Ofereceu um prêmio de R$ 500,00 para quem cantasse a letra toda, sem errar. O prêmio cresceria a cada programa em que a missão não fosse cumprida. Quem acertou, acabou levando mais de R$ 10.000,00.

E os jogadores de futebol, que ganham mais do que eu ganharei em uma vida, num único ano, e que não conseguem nem começar o Hino?

Entre eles e a Vanusa, fico com ela. Foi vexatório, triste, melancólico. Mas deve haver alguma explicação. Ela, ao menos, sabe cantar. E bem.



Escrito por Mauro Dunder às 00h10
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